Elevidys – O impacto dos tratamentos de alto custo no sistema de saúde

Elevidys - O impacto dos tratamentos de alto custo no sistema de saúde

Ao comentar uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo que determinou o custeio de um medicamento superior a R$ 16 milhões, o autor levanta uma questão direta: até onde deve ir a responsabilidade dos planos de saúde diante de tratamentos de altíssimo custo?

Entre o direito individual e o equilíbrio coletivo

No artigo, Antônio Penteado Mendonça destaca que a Constituição atribui ao sistema público, o SUS, o papel central na garantia do acesso à saúde, enquanto a saúde suplementar atua de forma complementar, com regras e limites definidos.

Essa distinção, muitas vezes esquecida no debate público, é fundamental para entender o funcionamento do sistema.

Ao mesmo tempo, o autor chama atenção para um ponto sensível: nem mesmo sistemas públicos conseguem custear tudo. Em qualquer lugar do mundo, há critérios, prioridades e limites, justamente porque os recursos são finitos.

Quando o caso individual impacta o todo

Um dos trechos mais provocativos do artigo aponta que, quando um tratamento “foge da curva”, ele pode “beneficiar um em detrimento de muitos”.

Essa afirmação, ainda que dura, expõe um dilema estrutural: decisões individuais podem gerar efeitos sistêmicos relevantes.

No caso citado, o custo de um único tratamento equivale ao atendimento de centenas, ou até milhares, de outros pacientes em condições diferentes. A questão que emerge não é apenas financeira, mas distributiva.

O efeito das decisões e seus desdobramentos

Outro ponto levantado pelo autor é o impacto das decisões judiciais sobre o equilíbrio das operadoras, especialmente as de menor porte.

Ao determinar o custeio de tratamentos fora das coberturas previstas, cria-se um precedente que pode se repetir e, em escala, comprometer a sustentabilidade do sistema como um todo.

Esse é um aspecto que frequentemente fica à margem do debate, mas que tem implicações diretas sobre todos os beneficiários.

Uma pergunta sem resposta simples

Ao final, Antônio Penteado Mendonça propõe uma reflexão direta: é melhor atender adequadamente o maior número possível de pessoas ou salvar uma única vida?

A pergunta é desconfortável, e talvez justamente por isso precise ser feita.

Um debate que precisa amadurecer

Trazer essa discussão à luz não significa relativizar o valor da vida individual, mas reconhecer que sistemas de saúde operam sob restrições reais.

O avanço da medicina, com terapias cada vez mais sofisticadas e custosas, tende a intensificar esse tipo de dilema nos próximos anos.

Diante disso, o setor precisa evoluir em temas como:

  • critérios de incorporação de tecnologias,
  • modelos de financiamento,
  • e mecanismos que equilibrem acesso e sustentabilidade.

O papel do diálogo

Mais do que oferecer respostas definitivas, o artigo contribui ao colocar a questão no centro do debate público.

E talvez esse seja o ponto mais importante: decisões dessa natureza não podem ser tratadas de forma isolada. Elas exigem uma discussão mais ampla, que envolva sociedade, reguladores, operadoras e empresas.

Porque, no fim, a pergunta permanece e é coletiva: quem paga a conta?

Fonte: Estadão
Matéria Original: Planos de saúde: quem paga a conta?

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