Planos de saúde básicos ganham espaço diante da alta dos custos

Planos de saúde básicos viram saída contra alta dos custos

De acordo com a Pesquisa de Benefícios 2025 da Aon, organizações de diferentes setores têm adotado medidas para equilibrar a oferta de assistência médica com a sustentabilidade financeira dos planos.

Entre os movimentos observados está o chamado downgrade dos planos corporativos — quando empresas optam por migrar de categorias intermediárias ou executivas para planos mais básicos, mantendo o benefício ativo, mas com estruturas mais enxutas. A pesquisa analisou 1.077 empresas, que juntas impactam 3,5 milhões de colaboradores, e mostrou que a assistência médica segue presente em 97% das organizações, mantendo-se como o benefício mais relevante para os trabalhadores.

Esse cenário revela uma mudança importante: o benefício continua sendo prioritário, mas passa a ser gerido de forma mais estratégica. Em vez de simplesmente cortar custos, muitas empresas estão investindo em iniciativas capazes de reduzir a sinistralidade ao longo do tempo.

Entre as principais estratégias adotadas estão programas de bem-estar corporativo, citados por 66,8% das empresas, que incluem ações voltadas à saúde física, mental e ao equilíbrio entre vida pessoal e profissional. A lógica é clara: colaboradores mais saudáveis tendem a utilizar menos o sistema de saúde, o que ajuda a controlar os custos dos planos e melhora indicadores como produtividade e absenteísmo.

Outro movimento relevante apontado pela pesquisa é a ampliação de benefícios para familiares dos colaboradores, que registrou crescimento em relação aos levantamentos anteriores. Essa tendência reflete uma visão mais ampla da saúde corporativa: o bem-estar do colaborador está diretamente ligado à segurança e à qualidade de vida de seu núcleo familiar.

Além disso, empresas têm investido cada vez mais em educação e desenvolvimento profissional, com destaque para cursos de curta duração e programas de liderança. Esse tipo de benefício contribui não apenas para o crescimento dos colaboradores, mas também para a retenção de talentos e fortalecimento da cultura organizacional.

Para organizações que buscam maior personalização, os benefícios flexíveis também ganham espaço. Nesse modelo, o colaborador pode escolher como distribuir pontos entre diferentes benefícios, ajustando a cesta de acordo com suas necessidades e momento de vida.

No entanto, implementar esse formato exige estrutura: integração entre fornecedores, novas regras de elegibilidade e uma comunicação clara com os colaboradores. Quando bem estruturado, o modelo permite aumentar a percepção de valor dos benefícios sem necessariamente elevar os custos totais da empresa.

Na prática, o que a pesquisa revela é uma transformação na forma como as empresas enxergam a saúde corporativa. O benefício deixa de ser apenas um custo e passa a ser tratado como gestão estratégica de risco e investimento em pessoas.

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Fonte: Valor Econômico
Matéria original: Planos de saúde básicos viram saída contra alta dos custos

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